Teresina faz 174 anos hoje. E, diferente da maioria das cidades brasileiras, ela sabe exatamente o dia em que nasceu: 16 de agosto de 1852.

Isso não é detalhe de almanaque. A maior parte das cidades do país foi surgindo — um porto aqui, uma capela ali, um povoado que virou vila e um dia virou cidade. Teresina não. Teresina foi desenhada antes de existir.

Por que a capital mudou de lugar

Até 1852, a capital do Piauí era Oeiras, no interior. O problema era prático e caro: Oeiras ficava longe de tudo. Não tinha rio navegável por perto, o escoamento da produção era penoso e a comunicação com o resto do país passava por dias de estrada.

O conselheiro José Antônio Saraiva, então presidente da província, defendeu a mudança para um ponto onde a geografia trabalhasse a favor: o encontro dos rios Parnaíba e Poti. Rio, naquele tempo, era estrada, porto e água ao mesmo tempo.

O lugar escolhido era conhecido como Chapada do Corisco, e ali existia a Vila do Poti. Em 16 de agosto de 1852 a nova capital foi instalada com o nome de Teresina, em homenagem à imperatriz Teresa Cristina.

O que "primeira cidade planejada do Brasil" significa de verdade

O título é bonito e costuma ser repetido sem que ninguém explique o que ele quer dizer. Quer dizer o seguinte: antes de a primeira casa ser levantada, já existia um traçado no papel.

As ruas foram desenhadas em xadrez, cruzando em ângulo reto, formando quadras regulares. Não foi o costume da época. O costume era a cidade crescer torta, seguindo o caminho do gado, o contorno do morro, o capricho de quem construiu primeiro. Quem já dirigiu no centro histórico de uma cidade colonial brasileira sabe o resultado.

Teresina foi pensada ao contrário: primeiro o desenho, depois a ocupação. Brasília faria o mesmo mais de um século depois, com muito mais fama.

E é por isso que até hoje, mesmo com todo o crescimento desordenado que veio depois, o centro de Teresina continua sendo fácil de entender. Um traçado bom envelhece bem.

A Cidade Verde

O apelido veio do escritor Coelho Neto, impressionado com a quantidade de árvores da cidade. E o apelido pegou porque é verdadeiro: quem chega de avião em Teresina vê verde antes de ver telhado.

É também a cidade do calor que todo mundo comenta e ninguém esquece, do encontro dos rios que dá um dos melhores pores do sol do Nordeste, e de uma vida cultural que não cabe no estereótipo que fazem do interior.

O que isso tem a ver com quem tem empresa aqui

Trabalhamos com empresas de Teresina todos os dias, e tem uma coisa que aparece com uma frequência incômoda: quase todo negócio da cidade cresceu do jeito antigo, o jeito que Teresina justamente não usou.

Abriu porque apareceu a oportunidade. Cresceu porque o cliente foi chegando. Contratou quando apertou. Anunciou quando o movimento caiu. Nunca teve um traçado — foi seguindo o caminho do gado.

E funciona, por um tempo. Do mesmo jeito que uma vila colonial funciona até o dia em que precisa passar um caminhão.

A lição que a nossa própria cidade dá é essa, e ela está no chão que a gente pisa todo dia: o que é desenhado antes aguenta o crescimento depois. Teresina cresceu muito além do que Saraiva imaginou, e o centro dela ainda funciona porque alguém sentou e desenhou primeiro.

Negócio é igual. A empresa que decide onde quer chegar, desenha o caminho e só então executa, aguenta crescer. A que vai improvisando cresce até o limite do improviso.

Parabéns, Teresina

Cento e setenta e quatro anos de uma cidade que foi ideia antes de ser lugar. Que nasceu de uma decisão difícil, contrariando quem preferia deixar tudo como estava, e que hoje é a maior cidade do Piauí.

A Seven Black é daqui. Nossos clientes são daqui. E é bom trabalhar numa cidade que, desde o primeiro dia, provou que planejar dá certo.

Feliz aniversário, Cidade Verde.

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